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Tráfico Negreiro

O tráfico internacional de escravos da África para o Brasil foi um movimento migratório, embora forçado. Seu início ocorreu na segunda metade do século XVI, e continuou até o século XVIII, atingindo seu ápice por volta de 1845 e oficialmente extinto em 1850.

A atividade comercial escravocrata foi altamente lucrativa e legal que beneficiava a três setores importantes: a Coroa portuguesa, a Igreja Católica (dízimo) e os senhores de engenho que desempenhavam também esta atividade comercial. O tráfico negreiro iniciou-se oficialmente em 1559, quando a metrópole portuguesa implementou o trabalho compulsório negro vindos da África no Brasil, como mão-de-obra da colonia.

è importante perceber que o sistema escravocrata utilizado pelos portugueses não representa uma novidade no modo de produção, uma vez que a escravidão já era utilizada nas mais desenvolvidas sociedades da África Subsaariana. Escravos negros eram comumente transportados através do Saara e vendidos no norte da África por mercadores muçulmanos. Estes trabalhadores podiam ser pessoas capturadas nas guerras, escravizadas por dívidas não pagas ou mesmo filhos de outros escravos por várias gerações. A necessidade de mão-de-obra na América aumentou a procura de escravos africanos, de modo que passaram a ser organizados grupos que entravam pelo interior da África Subsaariana com o único propósito de capturar pessoas de outras nações para serem vendidas como escravos nos portos do litoral.

Foi assim que Portugal conheceu o regime de escravidão, através das relações de comércio com mercadores árabes e a transformação dos mouros vencidos na guerra em cativos ou servos. O apoio da Igreja garantia a exploração tranqüila de mão-de-obra escrava no modo de produção existente, produção agrícola para exportação, como meio de compensar as despesas com as navegações. Por volta do ano de 1460, começa a era do tráfico de escravos organizado através de acordos diretos com os régulos da África Negra, ou seja, uma relação econômica de Estado para Estado. O tráfico de escravos africanos adquiria um caráter de aquisição de força de trabalho em massa para fins de produção e de comercialização através de um novo entreposto comercial estabelecido na costa da África. O tráfico de escravos africanos, já em moldes comerciais, tornou-se uma fonte de lucros a qual a elite portuguesa, principalmente aquela que se tornou a posteriori a elite colonial, se tornara dependente a ponto do tráfico ser uma das atividades mais lucrativas ao qual o escravo estava inserido, com o mesmo grau de importância da atividade pesada que desempenhava na produção e extração da cana-de-açúcar. Isso pode ser atestado pelo fato de que a produção era fortemente influenciado pelas condições climática, sendo assim utilizado como obejeto de venda no tráfico interno. O comércio de escravos tornou-se rapidamente a principal fonte de lucro. Os pontos de tráfico estendiam-se a toda a costa africana (externamente) e em Salvador (internamente), possibilitando a esta cidade ser uma das mais ricas cidades coloniais, se não a mais rica, por grande parte do período colonial, mesmo aquele em que supostamente a região do ouro é supervalorizada.

Em Portugal, e depois no Brasil, um tipo especial de exploração de trabalho escravo consistiu no aluguel dos serviços dos escravos a terceiros. Esta sublocação revela a existência de um fator econômico pouco estudado, mas que pode explicar a extensão do uso do trabalho escravo mesmo por parte de pessoas de reduzidas posses. Outro tipo de exploração caracterizava-se pelo exercício do comércio ambulante ao serviço dos seus proprietários.

Então, após esta breve acertiva sobre o tráfico negreiro e as consequentes formas de utilização do escravo, deixo o seguinte questionamento:

- O escravo era mais lucrativo pelo que produzia para o senhor ou por ser uma mercadoria altamente valorizada?

Para aqueles que se interessarem, aguardo o desenvolvimento deste questionamento.

Referências

MATTOSO, Kátia de Queiros. Bahia análise e dados: sociedade escravista e mercado de negros. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994

RODRIGUES, Jaime – De Costa a Costa: escravos e tripulantes no tráfico negreiro (Angola – Rio de Janeiro, 1780-1860). São Paulo: Ed. Unicamp, 1998. 440 p.

RODRIGUES, Jaime – O Infame Comércio: propostas e experiências no final do tráfico de africanos para o Brasil (1800-1850). São Paulo: Ed. Unicamp, 2000. 238p.

TAVARES, Luiz Henrique Dias – Comércio Proibido de Escravos. São Paulo: Ed. Ática, 1988. 158 p.

Um comentário

  1. Um dos melhores blogs de historia que eu ja vi, com um conteudo muito abrangente e escrita de facil entendimento proporciona ao leitor um rapido entendimento sobre o real motivo da mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro



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